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XVIII Encontro Nacional de Geógrafos

AGB Marechal Cândido Rondon - Nota de repúdio ao covarde massacre e ao roubo promovido pelo governo do estado do paraná em 29 de abril de 2015

AGB Marechal Cândido Rondon - Nota de repúdio ao covarde massacre e ao roubo promovido pelo governo do estado do paraná em 29 de abril de 2015

 

             A AGB (Associação dos Geógrafos Brasileiros), seção local de Marechal Cândido Rondon, do estado do Paraná, vem a público repudiar as ações truculentas, de extrema violência que foram utilizadas contra trabalhadores do serviço público paranaense: professores e servidores das escolas de ensino básico, professores e agentes universitários, agentes penitenciários, e de demais categorias, incluindo estudantes, que estavam no centro cívico em Curitiba-PR, manifestando-se legitimamente por seus direitos.

            A reação violenta da polícia militar foi marcada pelo exagero de contingente policial e do uso de armamentos “menos letais”: bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha, e pela covardia na forma com que a ação policial transcorreu no dia do incidente. O atual Governador do Estado (Carlos Alberto Richa – PSDB), o secretário de segurança pública do Paraná (Fernando Francischini – Solidariedade), o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Ademar Traiano – PSDB) e todos os deputados estaduais que se mantiveram em plenário, apoiando a continuidade da sessão, ignorando o cenário de massacre que ocorria em frente à Assembleia foram os responsáveis pelo vergonhoso incidente que manchou de sangue de trabalhadores a história do Estado do Paraná.

            Além da violência física e moral, os cidadãos paranaenses viram seu direito constitucional sendo violado, tendo em vista que foram barrados de acompanhar, neste dia, a sessão ordinária da Câmara dos Deputados. A “Casa do Povo”, em 29 de abril de 2015, fechou-se para o povo, para que o executivo estadual, tendo apoio de alguns tiranos do poder legislativo e de liminares expedidas por juízes do poder judiciário estadual, golpeasse e roubasse os trabalhadores, aprovando alterações no Paraná Previdência (o fundo previdenciário dos servidores públicos do estado), sem ao menos com que houvesse um amplo debate com as bases sindicais e trabalhistas que seriam atingidas diretamente e que clamavam para serem ouvidas.

            Nosso apoio aos bravos trabalhadores paranaenses!

E nosso repúdio ao ocorrido e aos responsáveis pelo ato de extrema covardia!

 

 

Marechal Cândido Rondon, 03 de maio de 2015

 

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) Seção Local de Marechal Cândido Rondon/PR

AGB Londrina - Nota de repúdio ao massacre promovido pelo estado do Paraná, na praça Nossa Senhora da Salete, em Curitiba, durante as legítimas manifestações dos servidores públicos, em greve.

AGB Londrina - Nota de repúdio ao massacre promovido pelo estado do Paraná, na praça Nossa Senhora da Salete, em Curitiba, durante as legítimas manifestações dos servidores públicos, em greve.

A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) Seção de Londrina/PR, vem a público, declarar, como agremiação de classe, seu repúdio aos atos de ampla violência promovidos pelos agentes de segurança do estado do Paraná, com aquiescência do Governador, assim, como da própria Assembleia Legislativa do Estado do Paraná e da Justiça estadual, que, na condição de poderes públicos, não evitaram as cenas de odiosidade e truculência registradas na Praça Nossa Senhora da Salete, no Centro Cívico de Curitiba, contra o funcionalismo público (professores e servidores da rede estadual de ensino e das universidades estaduais, agentes penitenciários, servidores da saúde, dentre outras categorias) que se encontram mobilizados, em greve, na luta pela manutenção de seus direitos.

A AGB-Londrina considera circunspecto o enlaço de impedimento dos servidores-cidadãos de adentrarem ao parlamento estadual, promovido pelo governador Carlos Alberto Richa (PSDB) e pela bancada de deputados aliados ao governador, assim como, a Justiça, que impetrou tal ato impeditivo – sendo que a ALEP é “a casa do Povo” e, cabe ao Povo, o direito de participar das sessões, que devem ser abertas ao público, isso quando se vive em estado democrático de direito.

Diante dos fatos mencionados, a AGB-Londrina, se posiciona ao lado dos servidores públicos do Paraná, repudiando a agressão sofrida por centenas de trabalhadores do estado, pelo aparelho de segurança, que agiu violentamente sobre os trabalhadores, com consentimento do governador, dos deputados aliados dele e da justiça, esta última, pelo fato de ter, podido, evitar o banho de sangue que se registrou no dia 29 de maio de 2015.

A AGB-Londrina, declara implacável apoio à greve das categorias do funcionalismo público do estado do Paraná, repudiando os atos e ações de bestialidade, perpetrados pelos interesses do governador Richa, do PSDB.

Londrina, 30 de abril de 2015

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) Seção Londrina/PR

AGB Rio de Janeiro

AGB Rio de Janeiro

A Associação dos Geógrafos Brasileiros Seção Rio de Janeiro vem a público pedir esclarecimentos à Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro a respeito dos motivos alegados pela mesma para a demissão do professor de Geografia Breno Mendes, da rede municipal de ensino.

Segundo consta no processo que levou à sua demissão, foi alegado que o referido professor teria descumprido o Item V do Artigo167 da lei94/1979, que dispõe sobre o Estatuto dos Funcionários Públicos do Poder Executivo do Município do Rio de Janeiro, e que determina que é dever do funcionário demonstrar "lealdade e respeito às instituições administrativas a que servir".

Não se pode fazer confusão entre Instituição e Governo.

Criticar medidas governamentais que se acredita ir contra o interesse da população e, por conseguinte, da Administração Pública municipal, é exercer um direito, e não violar deveres. É defender a instituição pública, e não desrespeitá-la.

Este é um direito que inclusive está assegurado no Artigo 216 desta mesma lei, que define que “Por motivo de convicção filosófica, religiosa ou política, nenhum funcionário poderá ser privado de qualquer de seus direitos nem sofrer alteração em sua atividade funcional”.

É direito de todo professor e cidadão atuar politicamente prezando pela qualidade e pela democratização do ensino público. Críticas a medidas governamentais mostram a saúde de um sistema representativo que preserva valores democráticos. A perseguição, coação e cassação de direitos (inclusive o direito ao trabalho), por sua vez, mostram uma gestão pública que afronta o Estado a que representa.

No ano de 2013 Breno Mendes teve a oportunidade de perguntar ao prefeito Eduardo Paes, em uma entrevista ao vivo transmitida pela rádio Band News, se o prefeito colocaria os filhos para aprender Português com um professor de Geografia. Ao fazer isso Breno se referia a uma situação que o mesmo estava passando: formado em Geografia e aprovado em concurso público municipal para lecionar Geografia, estava tendo que lecionar disciplinas nas quais não tem formação para alunos da rede municipal de ensino.

Hoje é a AGB Rio de Janeiro quem se reporta à prefeitura do Rio de Janeiro: os professores da rede municipal de ensino, assim como os demais servidores públicos, serão privados de seus direitos e sofrerão alteração em suas atividades funcionais caso exerçam seu livre direito à manifestação de suas convicções políticas?

Diretoria da AGB-Rio – biênio 2015-2016

AGB Rio Claro - Nota de apoio à greve dos professores

NOTA DE APOIO À GREVE DOS PROFESSORES

O Núcleo Pró-AGB Rio Claro (Núcleo Pró-Associação de Geógrafos Brasileiros, Seção Rio Claro) vem a público manifestar seu apoio à greve de professores da rede estadual de ensino, iniciada em março de 2015.

Consideramos um movimento legítimo, em resposta às políticas e diretrizes adotadas do atual governo do estado de São Paulo de precarização do trabalho docente e desqualificação da educação pública. Entre tantas outras, apontam-se, por exemplo, os cortes orçamentários da Educação, os baixos salários dos professores (a não aplicação da Lei nº 11.738/2008, que institui o
Piso Salarial), o desemprego dos professores da categoria “O” (obrigados a ficarem 200 dias afastados sem receber salários), o fechamento de classes e a concomitante superlotação das salas de aula, os empecilhos burocráticos referentes aos processos de aposentadoria, entre muitas outras reivindicações por direitos negados, determinando diretamente a condição da educação
pública do estado.

É neste sentido que o Núcleo Pró-AGB Rio Claro não poderia deixar de externar sua solidariedade à categoria em luta, tendo em vista o histórico processo de ineptidão das políticas educacionais no estado de S. Paulo (como também do país), orientadas, mormente, por princípios neoliberais de racionalização de gastos em detrimento de um direito constitucional, que é a educação pública e de qualidade para todos.


Núcleo Pró-AGB Rio Claro (09 de abril de 2015).

GT de Ensino AGB-Niterói - Questões Iniciais sobre a Reforma do Ensino Médio e a Base Nacional Comum de Currículo

Questões Iniciais sobre a Reforma do Ensino Médio e a Base Nacional Comum de Currículo

Grupo de Trabalho de Ensino de Geografia da AGB-Niterói

1 – Sobre o Projeto de Lei


O GT de Ensino da seção local Niterói, convoca conforme deliberação da 121ª RGC, as seções locais, os GT's de Ensino/Educação, associadas e associados da AGB, para o estudo, debate e acompanhamento das reformas educacionais, com prioridade ao Projeto de Lei 6840/2013 (em situação: pronta para pauta no Plenário da Câmara), que, dentre outras providências para o Ensino Médio, dispõe sobre a organização dos currículos em áreas do conhecimento, alterando os artigos 26 e 34 da LDB.

A atual proposição para o Ensino Médio não é recente, e vincula-se a definição de uma Base Nacional Comum de Currículo (BNCC). As discussões sobre a criação de uma Base Nacional Comum de Currículo remetem à Constituição Federal de 1988, cujo o artigo 210 estabelece que “Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais". E no mesmo sentido, o artigo 26 da Lei federal nº 9.394, de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que determina “os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos". (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013).

O debate das diretrizes curriculares nacionais e de bases comuns para o currículo foi retomada pelo MEC em 2009 com o lançamento do Programa Currículo em Movimento, com o objetivo de elaborar um documento de proposições, para atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais da educação infantil, do ensino fundamental e ensino médio; e de elaborar um documento orientador para a organização curricular e referências de conteúdo, para assegurar a formação básica comum da educação básica (Base nacional comum/Base curricular comum). Em julho de 2010, o Conselho Nacional de Educação (CNE) definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (CNE/CEB 4/2010), e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio em 2012 (CNE/CEB 2/2012). A promulgação da lei no 13.005/ 2014, que institui o Plano Nacional de Educação (PNE), determina que até junho de 2016, a BNCC seja encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE). O PNE relaciona a BNCC a algumas metas do plano, como as metas 2 e 3, que dizem respeito à universalização do ensino fundamental; a meta 7 que trata da avaliação e do IDEB; e meta 15, à formação de professores. Os documentos tem pautado as políticas do MEC, como a implementação do Pacto Nacional pelo Ensino Médio, o ENEM, e uma proposta de BNCC, em processo de consulta aos Estados, Municípios e membros da comunidade acadêmica iniciado em agosto de 2014. Essa versão do documentos está com circulação muito restrita, pois ainda não conseguimos tomar conhecimento dele, mas provavelmente sua redação deverá impactar o planejamento das escolas, a formação inicial dos docentes, o sistema de avaliação, e os materiais didáticos.

2 - Que visão de currículo está nesse projeto?

No âmbito educacional, as políticas de educação básica e de formação técnica, consolidadas na hegemonia neoliberal trataram de preconizar a necessidade de competências necessárias para a formação de um cidadão produtivo ajustado técnica e socialmente às demandas do capital e, principalmente, “um cidadão que acredite que a ele não compete ser sujeito político.” (FRIGOTTO, 2008).

Em seu conjunto, elas protagonizam o que Saviani (2012) chama de “neoescolanovismo” e “neotecnicismo”, ou seja, ao mesmo tempo que trazem o discurso da escola como lugar de aquisição de competências e habilidades, ao invés de conteúdos, que tornem flexíveis a formação do trabalhador, o fazem a partir de pacotes educacionais com metodologia e avaliação previamente formatados por empresas privadas via parcerias público-privadas. É dentro desse contexto que se propõe a construção de uma nova base curricular nacional.

Em que pese a necessidade (ou não) de constituição desse documento que podemos conceber como a reformulação dos atuais Parâmetros Curriculares Nacionais, ainda que essa terminologia não seja a utilizada, é fundamental colocarmos certas questões perante algo tão importante:

a) O texto do projeto de lei prevê a existência de uma base comum a partir da qual devem se estruturar os currículos de Ensino Médio dos Estados e Municípios, entretanto qual o sentido de criar uma lei de reformulação do Ensino Médio dentro de uma nova base nacional de currículo comum que sequer existe ainda?

b) Que visão acerca do ensino médio se quer estabelecer no Brasil? As despeito do lento processo de democratização do ensino público brasileiro, o mínimo que se observa é a ausência de um projeto específico que tipifique o Ensino Médio, ou seja, que permita dá-lhe sua particularidade tal qual ocorre com o Ensino Fundamental, o que ocorre atualmente é a mera preparação do estudante para o ensino superior, quando muito.

c) Chama a atenção o fato de ser exatamente a forma como se constitui a Matriz de Referência do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), confirmando o que já se sabia e se anunciava no próprio site do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que o ENEM pretende “induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio”. Assim, é nítido no projeto de lei a centralidade do ENEM como componente curricular. Verificamos que do ponto de vista do Estado, o que se verifica é um processo paulatino, mas crescente, de centralização da educação no país, seja a partir das avaliações nacionais como IDEB, ENEM, ENADE, seja a partir do movimento de unificação curricular. Nesse sentido, qual a justificativa de estabelecer uma avaliação nacional como o ENEM, cuja função inicial deveria ser a de subsidiar um diagnóstico da Educação no Brasil?

d) O argumento básico para a crítica do currículo escolar atual é a mesma que se utilizou durante a época de elaboração dos PCNs: o problema do currículo demasiadamente inchado, cheio de conteúdos, além da alta evasão escolar. Entretanto, ainda que a fragmentação do conhecimento de fato seja uma questão (o que não significa de forma alguma a perda da identidade disciplinar), não se entende a razão de uma Lei de Reforma da estrutura do Ensino Médio que não traz consigo a concepção e a metodologia de que tipo de conteúdos estarão passarão a ser vigentes. Em suma, diz-se: “Ensine.”, sem no entanto saber-se o que, e como ensinar.

e) A que nível de consulta da comunidade escolar vem se estabelecendo essa discussão? O texto do parecer sobre o projeto coloca a presença de diversos setores da sociedade civil, menos um: o dos educadores? Como pode-se ratificar um projeto de reformulação do Ensino Médio no país sem sequer passar pelas mãos daqueles que serão os responsáveis pela sua realização em sala de aula?

3 – Sobre a divisão em áreas do conhecimento

A Base Nacional Comum de Currículo (BNCC) que embasa a proposta de Reforma do Ensino Médio (Projeto de Lei 6840/2013), e que vem junto do novo Plano Nacional de Educação (PNE - 2014) coloca os currículos organizados em áreas do conhecimento. I – linguagens; II – matemática; III – ciências da natureza; e IV – ciências humanas.

Mas, qual a referência, qual a base para a construção dessas grandes áreas que a BNCC e a reforma do ensino médio propõem? E onde e de que forma a Geografia aparece?

A CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) tem uma divisão em nove grandes áreas, que se distribuem em quarenta e oito áreas de avaliação, nestas se reúnem as áreas do conhecimento, e, finalmente, delas surgem as subáreas e especialidades. Assim como no ENEM, na CAPES a Geografia está localizada na Grande Área de Ciências Humanas, porém, há a questão da Geografia Física, que a CAPES separa, reforçando a dicotomia. Ela se encontra na área de conhecimento Geociências que faz parte da Grande área Ciências Exatas e da Terra. O projeto de lei da reforma do ensino médio aponta que A BNCC do ensino médio terá nos componentes e conteúdos obrigatórios, “o estudo da língua portuguesa; da matemática; do conhecimento do mundo físico e natural; da Filosofia e da Sociologia; da realidade social e política, especialmente do Brasil; e uma língua estrangeira moderna”. No parecer da lei já consta Geografia como componente curricular obrigatório da área de conhecimento Ciências Humanas, assim como História, Filosofia e Sociologia. Ou seja, não utiliza o termo disciplinas.

Seria a CAPES a referência para a constituição das áreas do conhecimento? O projeto não dá referência das bases que utilizou. Assim também é com as discussões de interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e transversalidade que estão presentes desde os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), mas no projeto aparecem de forma vaga e imprecisa, já que não há clareza sobre como aparecem as disciplinas. O projeto de lei usa desses pontos como crítica aos currículos atuais, com disciplinas pouco integradas e currículos inchados e para valorizar a autonomia das instituições, porém, a proposta em sua totalidade é centralizada através da avaliação.

A CAPES afirma que utiliza a classificação em áreas do conhecimento por razão de praticidade, “objetivando proporcionar às Instituições de ensino, pesquisa e inovação uma maneira ágil e funcional de sistematizar e prestar informações concernentes a projetos de pesquisa e recursos humanos aos órgãos gestores da área de ciência e tecnologia.”, ou seja, partindo disso, na realidade Ciências Humanas, Ciências Naturais, etc. não existem; são a junção de disciplinas afins. O mundo físico e natural que é objeto das Ciências da Natureza também é objeto da Geografia, que faz parte das Ciências Humanas.

Como a BNCC opera com a questão Geografia Física e Geografia Humana? Na CAPES, como dito, estão em áreas diferentes. Sem a compreensão de como isso vai se dar qualquer alusão a interdisciplinaridade e transversalidade fica vaga. Não se encontra disponível o texto da Base Nacional Comum, que afirmam ter sido entregue as secretarias, é necessário o acesso a esse texto para conhecermos a definição de áreas do projeto e avançar nas reflexões sobre a Geografia desenhada ali.

No conjunto global dessas e de outras questões fica o seguinte: a ideia de que para a constituição de uma base nacional comum haja uma concepção básica da formação do cidadão e a definição de um corpo de conhecimento fundamental, e não uma simples nomeação, como um currículo mínimo ou um elenco de disciplinas.

4 – Sobre a importância do ensino de geografia na escola e na sociedade

Em relação a importância do currículo organizado em disciplinas um forte argumento está embasado na ideia de que o currículo interdisciplinar corra o risco de ‘esvaziar’ o conteúdo da escola. Considerando que um dos papeis da escola é a apropriação e sistematização do conhecimento, “abrir mão” das disciplinas pode significar um esvaziamento dos conteúdos ou mesmo uma relativização do conhecimento, ou seja, o enfraquecimento entre a distinção do que é conhecimento escolar e do que não é conhecimento escolar.

A educação geográfica, desse modo, depende da mediação de um professor especializado, que conheça os fundamentos teóricos e metodológicos dessa ciência e, consequentemente, saiba criar fundamentações que considerem as principais questões conceituais pertinentes a Geografia. Um profissional que não teve essa formação pouco ou nada será capaz de criar um processo didático referenciado na metodologia geográfica.

Os conhecimentos geográficos estão para além do seu cotidiano, por mais que seja importante e necessário considerar a experiências trazidas pelos alunos, há uma diferença entre aquilo que se vive e aquilo que se pensa sobre aquele lugar. O conhecimento elaborado a partir dessas experiências, do vivido, será geográfico por meio, por exemplo, de categorias estruturadas de acordo com a metodologia geográfica.

Partimos então da importância da disciplina para a importância da disciplina geografia, isso porque, ela permite um deslocamento do local, do cotidiano, para o global, o que pode ser entendido também como a compreensão das espacialidades, auxiliando, até mesmo, no sentido de entender a escola e sua espacialidade. Estudar geografia possibilita um entendimento dos fenômenos do mundo e por meio da localização e da representação desse mundo, novas linguagens (como por exemplo a linguagem cartográfica) vão sendo estabelecidas e, consequentemente, novos diálogos vão sendo elaborados.

Outro aspecto importante e relevante é o fato de que compreender as diferentes espacialidades e suas relações, muitas vezes contraditórias, está diretamente associado a função social da Geografia, uma vez que ela possibilita uma elaboração de um pensamento crítico da realidade.

Bibliografia:
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Último acesso em 28/04/2015.

BRASIL. Lei no. 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Último acesso em: 25/04/2015.

BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014 - Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2014/lei-13005-25-junho-2014-778970-publicacaooriginal-144468-pl.html. Último acesso em: 24/04/2015.

CÂMARA DOS DEPUTADOS/CEENSI. Projeto de Lei no. 6.840/2013 – Altera a LDB para instituir a jornada em tempo integral no ensino médio, dispor sobre a organização dos currículos do ensino médio em áreas do conhecimento e dá outras providências. Disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1200428&filename=PL+6840/2013. Último acesso em 29/04/2015.

CÂMARA DOS DEPUTADOS. Parecer sobre o Projeto de Lei 6.840/2013: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1294377&filename=Tramitacao-PL+6840/2013. Último acesso em 29/04/2015.

CAPES. Tabela das áreas de conhecimento. Disponível em: http://www.capes.gov.br/avaliacao/instrumentos-de-apoio/tabela-de-areas-do-conhecimento-avaliacao Último acesso em 29/04/2015.

FRIGOTTO. Gaudêncio. Fundamentos Técnicos e Científicos da Relação Trabalho e Educação no Brasil de Hoje in: LIMA, J. C. F. & NEVES, L. M. W. (orgs.) Fundamentos da Educação Escolar do Brasil Contemporâneo. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz/EPSJV, 2016. pp. 241-288.

MEC/CNE. Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010 - Define diretrizes curriculares nacionais gerais para a educação básica. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_10.pdf. Último acesso em: 25/04/2015.

MEC/CNE. Resolução nº 2, de 30 de janeiro de 2012 - Define Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Disponível em: http://pactoensinomedio.mec.gov.br/images/pdf/resolucao_ceb_002_30012012.pdf. Último acesso em: 25/04/2015.

INEP. Sobre o Enem. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/web/enem/sobre-o-enem. Último acesso em: 25/04/2015.

SAVIANI, Demerval. História das Ideias Pedagógicas no Brasil. Editora Autores Associados: Campinas, 2007.

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